O general da reserva Sérgio Etchegoyen foi o convidado do Encontro Virtual promovido no dia 29 de julho pelo projeto O Brasil Precisa Pensar o Brasil, da Fundação Ulysses Guimarães (FUG). Com longa trajetória na vida pública e militar, Etchegoyen é ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (2016–2019), general de Exército da reserva e ex-chefe do Estado-Maior do Exército. Filho do também general Leo Guedes Etchegoyen, dedicou 48 anos à carreira militar, onde comandou escolas estratégicas, serviu no exterior e atuou em projetos de defesa nacional de alta complexidade.
Durante o encontro, Etchegoyen traçou uma análise detalhada sobre o cenário internacional e os impactos diretos sobre a segurança e a defesa brasileira. O general alertou para a transformação do mundo em um ambiente de menor cooperação e maior competição entre nações. Segundo ele, eventos recentes como a pandemia de Covid-19, a guerra entre Rússia e Ucrânia e a intensificação dos eventos climáticos extremos desvelaram a fragilidade das relações internacionais e a crescente instabilidade global.
Patrimônio monumental
O Brasil, destacou o general, ocupa posição estratégica na América do Sul — responde por mais de 50% do território, da população e da economia do subcontinente. “Temos um patrimônio monumental a defender. Não contra inimigos identificáveis, mas contra ameaças”, afirmou. Para tanto, reforçou a necessidade de dotar as Forças Armadas de diretrizes claras, previsibilidade orçamentária e apoio à indústria nacional de defesa. “A missão central de uma força armada é garantir que o país possa exercer sua vontade soberana. Sem isso, somos rebotes das decisões alheias”, disse.
Etchegoyen também defendeu uma diplomacia altiva, mas pragmática. Ao comentar a recente tensão entre o Brasil e os Estados Unidos, indicou que a devolução de uma carta do presidente norte-americano foi um erro, pois eliminou a possibilidade de diálogo e barganha. Para ele, é essencial que o país saiba construir alianças estratégicas com base em seus interesses reais e na preservação de sua soberania.
O general encerrou sua fala com um apelo à classe política para que se envolva de forma mais efetiva no debate sobre a política de defesa nacional. “O Brasil precisa entregar às Forças Armadas as diretrizes claras sobre o que se espera delas. Sem isso, não há planejamento possível”, pontuou.
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