O ciclo de debates do projeto O Brasil Precisa Pensar o Brasil recebeu, na última terça-feira (5), o cientista político e ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Hussein Kalout, para uma análise profunda sobre o novo contexto geopolítico global e os caminhos para o Brasil reposicionar sua política externa. O encontro foi transmitido ao vivo pelo canal da Fundação Ulysses Guimarães no YouTube.
Referência nacional e internacional em temas de política externa, Kalout é pesquisador da Universidade Harvard, especialista sênior do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e professor do Insper, com passagens por instituições como o Instituto de Estudos Avançados da USP e experiência em formulação estratégica no alto escalão do governo
Nova Ordem Mundial
Durante sua apresentação, Kalout destacou que o mundo vive uma fase de transição entre ordens internacionais, marcada pela ascensão da China e a reação dos Estados Unidos, configurando uma tensão entre modelos unipolar, bipolar e multipolar. “Estamos diante de uma disrupção na ordem internacional. O sistema está sendo redesenhado por novos polos de poder, especialmente com a emergência da China como superpotência desafiante”, explicou.
O especialista também pontuou que o Brasil precisa reconhecer suas vantagens estratégicas para construir uma política externa realista e eficaz. “Somos uma potência ambiental, energética e de segurança alimentar. O desafio está em transformar esses vetores em estratégia internacional coesa e articulada com o setor público e privado”, afirmou.
Kalout alertou, no entanto, para o risco do que chamou de “superesticamento da política externa” — quando um país formula metas desproporcionais aos seus recursos de poder. “O Brasil precisa entender os seus limites e alinhar sua política externa às prioridades internas, como geração de emprego, renda e crescimento econômico”, disse.
Para ele, a posição privilegiada do Brasil na relação com os Estados Unidos e a China — principais atores do cenário global — deve ser aproveitada com inteligência. “O Brasil tem a vantagem de poder optar por uma posição de equilíbrio, compreendida pelos dois lados, desde que saiba navegar com estratégia e clareza de propósito”, concluiu.
A íntegra da transmissão está disponível no canal da FUG Nacional no YouTube: assista aqui.