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  • Saúde
20 out 2025

Menos tempo de tela, mais tempo presente: Estratégias para a prevenção da saúde mental infantil

Resumo executivo

A infância, período de brincadeiras e interações sociais reais, está sendo substituída pelo aumento exponencial da exposição aos dispositivos tecnológicos. Estudos apontam que o uso excessivo de telas está diretamente associado a prejuízos emocionais, físicos e comportamentais, como: dificuldades de atenção, queda no desempenho escolar, aumento da ansiedade, distúrbios do sono, impacto na capacidade de socialização, resultando em dificuldades na interação social e de estabelecimento de vínculos.

Na maioria dos casos, os dispositivos são utilizados como ferramenta de entretenimento para crianças cujos pais ou responsáveis, sobrecarregados por demandas profissionais, domésticas ou precisando descansar, muitas vezes sem rede de apoio, recorrem à tecnologia como uma solução para reduzir as exigências de atenção e cuidado.

O medo da violência também tem levado famílias a priorizarem atividades online. A experiência iniciou-se em agosto de 2024, a partir da observação desse fenômeno, evidenciado pelo aumento expressivo de crianças encaminhadas ao CAPS 2 em 2024, sendo que, em 70% dos casos, o uso excessivo de telas se apresentou como fator coadjuvante no adoecimento psíquico. Além disso, há uma lacuna de um trabalho específico na orientação e conscientização sobre os impactos do uso dessas tecnologias. É fundamental enriquecer as experiências fora do ambiente digital, estimular práticas lúdicas e resgatar brincadeiras tradicionais das comunidades locais.

Ficha técnica

Cidade/Estado

Abaetetuba, PA

Instituição responsável

Secretaria de Saúde de Abaetetuba

Público-alvo

Pais e responsáveis por crianças

Ações realizadas

Rodas de conversa com pais, mães e responsáveis, abordando os impactos do uso excessivo de telas e estratégias de equilíbrio digital. Vivências lúdicas intergeracionais, resgatando brincadeiras tradicionais (pular corda, amarelinha, roda, pião, miriti, etc.) e brinquedos artesanais como alternativas de lazer. Oficinas práticas em escolas e UBS, com participação conjunta de famílias e crianças, fortalecendo vínculos familiares e comunitários. Espaços de escuta e memória afetiva, estimulando que familiares compartilhassem brincadeiras de sua infância, valorizando a cultura local. Atividades educativas dialogadas, utilizando linguagem acessível para orientar famílias sobre os efeitos das telas na saúde física e mental. Integração intersetorial com escolas, UBS e CAPS para ampliar o alcance e garantir continuidade do cuidado. Encaminhamentos ao CAPS para crianças que apresentaram crises de desregulação ou sinais de sofrimento psíquico relacionados à redução do tempo de tela. Registros sistemáticos de frequência, falas e observações para avaliação quantitativa e qualitativa dos resultados.

Resultados e indicadores

Quantitativos 34 grupos realizados entre agosto/2024 e junho/2025. 1.280 familiares e responsáveis participaram das atividades. 70% das crianças encaminhadas ao CAPS II apresentavam uso excessivo de telas como fator associado ao adoecimento psíquico (dado do diagnóstico situacional). Encaminhamentos realizados: casos de crises de desregulação emocional identificados durante as atividades foram direcionados ao CAPSij para acompanhamento especializado. Abrangência territorial: atividades realizadas em diferentes equipamentos (UBS, escolas, CAPSij), fortalecendo a descentralização. Qualitativos Fortalecimento dos vínculos familiares: aumento da interação entre pais/responsáveis e crianças por meio do brincar conjunto. Ampliação do repertório cultural e lúdico: contato das crianças com brinquedos e brincadeiras não digitais, promovendo diversidade nas formas de lazer. Consciência crítica sobre hábitos digitais: pais e responsáveis relataram maior atenção aos riscos do uso excessivo de telas. Maior engajamento das famílias em espaços escolares e de saúde. Integração intersetorial consolidada: articulação Saúde–Educação, fortalecendo a rede de proteção infantojuvenil.

Orçamentos e fontes

Recursos humanos Utilização da equipe multiprofissional já existente (psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, educadores e profissionais da Atenção Básica e da Educação). Sem custos adicionais de contratação, pois as atividades foram incorporadas às rotinas de trabalho. Materiais de consumo Brinquedos artesanais e materiais lúdicos (corda, bola, pião, miriti, jogos de tabuleiro). Brinquedos comprados (de material variado) Estimativa: R$ 2.000,00/ano para reposição desses insumos. Infraestrutura Utilização dos espaços já existentes nas UBS, escolas, sem custo adicional. Eventuais adaptações simples (cadeiras, tapetes) realizadas com recursos próprios das unidades. Fontes de Financiamento Recursos da própria prefeitura Parcerias intersetoriais (Escolas, Secretaria de Educação,) que contribuíram com apoio logístico e materiais recreativos. Brinquedos artesanais, cedidos pela brinquedista em parceria com secretaria de educação Possibilidade de vinculação futura a emendas parlamentares ou editais de promoção da saúde, caso a experiência seja expandida.

Contato para replicação

Coordenação de Saúde Mental Pessoa de referência: Rachel de Siqueira Dias
Cargo/Função: Coordenadora de Saúde Mental
E-mail: rachelsiqueiradias@gmail.com
Telefone/WhatsApp: 91.992186090
Endereço institucional: Secretaria Municipal de Saúde de Abaetetuba Av. Dom Pedro II, SN – Centro Abaetetuba – PA

Autor

Imprensa da Fundação Ulysses Guimarães

Ficha técnica

Cidade/Estado

Abaetetuba, PA

Instituição responsável

Secretaria de Saúde de Abaetetuba

Público-alvo

Pais e responsáveis por crianças

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