Na Sala Temática MT3, que ocorreu no lançamento do documento Caminhos para o Brasil, os temas Meio Ambiente, Matriz Energética, Sustentabilidade e Amazônia reuniu lideranças e especialistas para discutir os desafios e contradições da região amazônica, o equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico e a necessidade de políticas sustentáveis que incluam a população local.
O debate foi conduzido por José Fogaça, presidente do Conselho Editorial da Fundação Ulysses Guimarães, e pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO), com a participação do presidente da FUG, Alceu Moreira.
Desenvolvimento com inclusão social
Abrindo o painel, Alceu Moreira destacou a importância de enfrentar entraves burocráticos e ideológicos que dificultam o desenvolvimento sustentável:
“É possível ter uma Amazônia que parece um jardim botânico para o mundo, enquanto as crianças ribeirinhas morrem de diarreia. Esses impeditivos nós temos que vencê-los — e, para vencer, tem que estar escrito num documento partidário, porque a população precisa perceber que isso não é um momento reativo, é um caminho lógico.”
O senador Confúcio Moura iniciou sua fala ressaltando a importância global da floresta amazônica, uma das cinco grandes florestas densas do planeta, e chamou atenção para as desigualdades que marcam a região:
“A Amazônia é extremamente rica, isso todo mundo sabe, mas, se você fizer uma pesquisa, vai perceber que o país pouco conhece a Amazônia. Lá vivem 25 milhões de habitantes, muitos sem acesso a saneamento básico, água tratada ou serviços de saúde.”
Desigualdade e oportunidades
Confúcio relatou experiências vividas na região e destacou o contraste entre riqueza natural e pobreza estrutural:
“É um mundo pequeno, cheio de contradições, onde convive a riqueza de um lado e a pobreza ali junto. […] As comunidades indígenas vivem na floresta, num oxigênio puro e muito bacana, mas não têm água tratada.”
O senador ressaltou o papel da ciência, da tecnologia e da biotecnologia como caminhos para transformar a riqueza natural em prosperidade compartilhada. Ele lembrou a criação do Centro de Biotecnologia da Amazônia, que precisa ser fortalecido, e defendeu investimentos em pesquisa e inovação.
Também apontou a necessidade de revisar políticas públicas de desenvolvimento regional, mencionando a SUDAM e a SUFRAMA, além de defender a criação de um microcrédito produtivo solidário como forma de inclusão econômica:
“Esse microcrédito é indispensável. […] Essa experiência foi muito boa lá em Bangladesh e melhorou a vida do povo. É o que precisamos fazer para o beiradeiro pobre, para o caboclo da floresta.”
Bioeconomia e matriz energética
O senador também falou sobre o potencial da bioeconomia e da matriz energética amazônica, destacando as usinas hidrelétricas e o papel da energia limpa para o futuro da região.
“A matriz energética da Amazônia é muito rica. Lá mesmo, em Rondônia, foram construídas duas grandes usinas fantásticas, Girau e Santo Antônio. […] Mas a riqueza da Amazônia precisa chegar à população.”
Ao abordar a exploração mineral, ele defendeu a legalização do garimpo familiar e o combate à mineração ilegal:
“A gente não sabe ainda como fazer e legalizar o garimpeiro pequeno. […] É por isso que reina na Amazônia um campeonato de ilegalidade.”
Educação, integração e o futuro da floresta
Durante a interação com o público, Confúcio destacou o papel da educação e das tecnologias de ensino a distância como instrumentos de transformação social. Ele lembrou a proposta de federalizar o ensino em municípios isolados e valorizar professores dispostos a atuar na região:
“Tem que ser um investimento muito grande. […] A proposta do Cristovam Buarque ainda é viável: federalizar municípios pequenos, pagar bem os professores e levar educação de qualidade para o Brasil profundo.”
Sobre a integração regional, o senador comentou o projeto da BR-319, que liga Manaus a Rondônia:
“É uma estrada importante, uma estrada de integração. Manaus é a única cidade do Brasil que não tem conexão com outras cidades. […] A proposta do ministro Renan Filho é fazer uma Estrada-Parque, com passagens para animais e controle ambiental rigoroso.”
Desenvolvimento com responsabilidade
Encerrando o painel, José Fogaça destacou o valor do testemunho de Confúcio Moura e a necessidade de uma visão equilibrada:
“As palavras do senador são uma revelação profunda da realidade amazônica. Ele nos ensina como o desenvolvimento tem que estar em harmonia com a sustentabilidade — e como a sustentabilidade não pode ser inimiga do desenvolvimento.”
Fogaça lembrou que as contribuições da sala serão incorporadas ao documento Caminhos para o Brasil, e concluiu:
“Nada é fechado. Tudo é em aberto. O que nós dissermos aqui hoje ficará como um documento — uma definição do MDB para os anos que virão.”
Assista na íntegra: