A Sala Temática MT4 — Economia e Desenvolvimento Regional — reuniu, durante lançamento do documento Caminhos para o Brasil, economistas, gestores e lideranças políticas para refletir sobre os desafios da economia brasileira, o papel do planejamento público e o fortalecimento regional.
O debate contou com Gustavo Grisa, coordenador da Fundação Ulysses Guimarães, Vinícius Lummertz, ex-ministro do Turismo, Paulo Brant, ex-vice-governador de Minas Gerais, Carlos Chiodini, deputado federal licenciado e secretário de Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, e a participação do presidente da FUG, Alceu Moreira.
Planejamento e visão de futuro
Abrindo o painel, Gustavo Grisa destacou que a reflexão econômica integra a construção do documento Caminhos para o Brasil, resultado dos debates realizados nos seminários e encontros regionais promovidos pela Fundação. Ele ressaltou que as discussões registradas compõem o processo contínuo de formulação do MDB para os próximos anos.
Em seguida, Vinícius Lummertz defendeu a necessidade de o Brasil construir um projeto nacional que una planejamento, segurança jurídica e estímulo ao investimento.
“Apresentar algo é tirar do lugar algo — uma ideia de um partido para o país. O MDB tem essa condição, pelo seu significado histórico, e é um antídoto contra esse dia a dia de ficar discutindo as margens, quando há um rio com imensas possibilidades”, afirmou.
O ex-ministro chamou atenção para o desafio da burocracia e para o ambiente de negócios travado, que afasta investidores e limita o crescimento.
“Nada é fácil fazer no Brasil. Um resort, uma marina, vira tudo ilegal, tudo é difícil, tudo é complicado. Em nome do quê?”, questionou.
Lummertz também defendeu uma comunicação mais assertiva e popular para que o projeto de país elaborado pelo MDB dialogue com a sociedade:
“Temos que ter uma linguagem dura, do ponto de vista da comunicação com o público, senão ninguém vai ouvir. Tem de ter algumas coisas lapidares que provoquem claramente e digam: isso tem de ser feito.”
O papel do Estado e o desafio fiscal
Paulo Brant analisou o contexto econômico brasileiro e destacou a urgência de uma nova direção para o país.
“Temos que mudar a direção. A direção está errada. Se a gente continuar, nós vamos trombar na parede”, afirmou.
O ex-vice-governador alertou para o desequilíbrio fiscal e a alta taxa de juros, que travam o investimento público e privado, além da dependência crescente de programas assistenciais.
“Nós estamos transformando o Brasil em um país de assistidos. […] Isso inviabiliza o orçamento público de fazer qualquer coisa além disso.”
Para Brant, o país precisa recuperar a capacidade de planejar o desenvolvimento de longo prazo e fortalecer o Estado como agente eficaz, não apenas presente:
“Nós carecemos profundamente de um projeto. […] É preciso o Estado, mas um Estado mais do que eficiente: um Estado eficaz, um Estado que planeje.”
Desenvolvimento regional e agroindústria
Carlos Chiodini destacou o papel estratégico do planejamento para impulsionar o desenvolvimento regional, citando o agronegócio como exemplo de sucesso nacional.
“O tema desenvolvimento regional é muito amplo, ele versa com as nossas desigualdades. […] Nós, como país, temos que planejar.”
O secretário ressaltou que o Brasil vive “uma era de incertezas” e apontou quatro desafios centrais: segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e desigualdade social.
“Segurança alimentar é o maior pilar da estabilidade política e social. […] Uma sociedade sem alimentação não existe democracia que fique de pé.”
Chiodini lembrou que o Brasil saiu, em duas décadas, da oitava para a primeira posição entre os maiores exportadores de alimentos do mundo e defendeu a ampliação do uso de tecnologia e da agregação de valor.
“Nós temos vocação para produzir alimentos. […] Temos potencial e qualidade para ser um pilar de segurança no mundo, com uma democracia estável e com resultado.”
A economia começa pelas pessoas
Em sua intervenção, Alceu Moreira reforçou a importância de o MDB transformar suas reflexões em projeto concreto de país.
“Se um partido realmente estiver disposto a se construir, tem que aprender a ter salas como esta absolutamente cheias, com uma mesa como essa que está aqui. […] Partido tem que ter conceitos absolutamente claros, porque precisa ser uma parte pensante da sociedade.”
Alceu defendeu que a economia deve nascer das pessoas e da inclusão produtiva:
“A diferença do João Bolsa Família e do João Açougueiro é 80 horas de um curso. […] A inclusão produtiva é absolutamente neural para a economia.”
Inovação, mineração e oportunidades
Durante as intervenções do público, o tema da mineração e da inovação tecnológica ganhou destaque. Participantes propuseram a criação de um Vale da Transformação Mineral, com foco em terras raras e grafeno, e defenderam a modernização da legislação para destravar investimentos e fomentar pesquisa aplicada.
Vinícius Lummertz endossou a proposta, afirmando que o Brasil precisa “falar o interesse nacional em linguagem clara” e tratar temas estratégicos — como energia, terras raras e licenciamento — com pragmatismo e responsabilidade.
“Tem de ser um novo tipo de licenciamento, com prazo, assim e assim. E pronto. É preciso mudar o patamar da contundência.”
Esperança e reconstrução de consensos
Encerrando o painel, Paulo Brant destacou que o país precisa recuperar a esperança e romper com a polarização política.
“O Brasil perdeu um pouco a esperança. […] Quase 60% da população não se identificam como bolsonaristas e não se identificam como lulistas. A população quer e está buscando alternativas. O MDB pode canalizar essa esperança.”
Assista na íntegra: