Durante três noites de formação, participantes aprofundaram conhecimentos sobre inteligência artificial, legislação eleitoral e comunicação digital, com foco na prevenção de riscos e na condução de campanhas em conformidade com as regras da Justiça Eleitoral
Promovido pela Fundação Ulysses Guimarães (FUG), por meio da Escola Movimento, o seminário “Eleições sem Erros: intensivo para candidatos, equipes e dirigentes” reuniu especialistas reconhecidos nacionalmente para apresentar uma visão prática sobre os principais aspectos jurídicos, estratégicos e operacionais das campanhas eleitorais.
Ao longo de três encontros, os participantes receberam orientações sobre inteligência artificial, Direito Eleitoral, propaganda digital, financiamento de campanhas, prestação de contas e combate à desinformação, sempre com foco na prevenção de erros capazes de comprometer candidaturas e mandatos.
Para a coordenadora da Escola Movimento, Deise Bastos, “a proposta reuniu especialistas que vivem o processo eleitoral para oferecer uma formação prática, atualizada e voltada aos desafios reais das campanhas de 2026.”
Inteligência artificial
A primeira aula foi conduzida pelo sociólogo e estrategista político Marcelo Senise e pela psicóloga e consultora Gisele Meter, que analisaram os impactos da inteligência artificial sobre o ambiente eleitoral.
Senise destacou que a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar um elemento capaz de influenciar o comportamento do eleitor, moldar narrativas e potencializar ataques à reputação de candidatos. Segundo ele, as campanhas precisam abandonar uma postura reativa e estruturar núcleos permanentes de monitoramento capazes de identificar vulnerabilidades, acompanhar ameaças e responder rapidamente a ataques digitais.
Na segunda parte da aula, Gisele Meter concentrou a exposição na gestão de crises provocadas por conteúdos produzidos com inteligência artificial. A palestrante apresentou protocolos para enfrentamento de ataques, ressaltando a importância da integração entre comunicação e assessoria jurídica, da preservação de provas e da definição prévia de fluxos de resposta.
Gisele também alertou que nem toda desinformação exige manifestação pública imediata, defendendo uma avaliação criteriosa do alcance e do potencial de dano antes da adoção de qualquer estratégia de comunicação.
Direito Eleitoral
Na segunda aula, o advogado e professor Fernandes Neto apresentou um panorama do funcionamento do Direito Eleitoral brasileiro, destacando que campanhas bem-sucedidas dependem de organização permanente e do cumprimento rigoroso das normas que disciplinam o processo eleitoral.
A exposição abordou os principais marcos do calendário eleitoral, incluindo filiação partidária, domicílio eleitoral, convenções, registro de candidaturas e início da propaganda eleitoral, enfatizando que o descumprimento dos prazos pode inviabilizar candidaturas e gerar questionamentos judiciais.
O palestrante também explicou as condições de elegibilidade, o funcionamento das federações partidárias e do sistema proporcional, além de detalhar as regras de financiamento de campanhas e prestação de contas.
Segundo Fernandes Neto, a fiscalização da Justiça Eleitoral tornou-se mais sofisticada, exigindo controle rigoroso da origem dos recursos, acompanhamento permanente das despesas e observância das exigências legais desde a pré-campanha até a prestação final de contas. Para ele, prevenir irregularidades é sempre mais eficiente do que enfrentar processos judiciais após a eleição.
Comunicação digital
Encerrando o seminário, o professor Diogo Reis analisou os desafios da propaganda eleitoral nas redes sociais e os impactos da transformação digital sobre as campanhas políticas. Segundo ele, a internet alterou profundamente a forma como candidatos e eleitores interagem, tornando a produção e a circulação de conteúdo muito mais descentralizadas. Nesse cenário, compreender os limites jurídicos da comunicação digital tornou-se essencial para reduzir riscos e preservar a regularidade das campanhas.
A aula abordou temas como propaganda eleitoral antecipada, regras da pré-campanha, uso da inteligência artificial generativa, rotulagem obrigatória de conteúdos produzidos com IA, restrições ao uso dessas ferramentas durante o período eleitoral, combate às fake news e regulamentação das deepfakes.
O palestrante explicou que a legislação busca conciliar liberdade de expressão e integridade do processo eleitoral, exigindo transparência no uso da inteligência artificial e responsabilização de candidatos e equipes quando conteúdos ilícitos colocarem em risco o equilíbrio da disputa.