O jornalista e consultor de mídia Carlos Alberto Di Franco participou do Encontro Virtual do projeto O Brasil Precisa Pensar o Brasil, transmitido ao vivo pelo canal da Fundação Ulysses Guimarães (FUG) no YouTube no último dia 27 de maio. O evento, que abordou o tema “Jornalismo, Crise, Dilemas e Oportunidades”, trouxe uma reflexão profunda sobre os desafios que a mídia enfrenta atualmente, especialmente em tempos de polarização e disrupção digital.
Carlos Alberto Di Franco iniciou sua participação destacando a importância de um jornalismo que consiga, de fato, pensar estrategicamente o Brasil. Ele afirmou que “sem uma comunicação adequada, tecnicamente competente, podemos ter as melhores ideias, mas não conseguiremos alcançar o nosso objetivo.” Para ele, a mídia tradicional está mergulhada em uma crise, mas ao mesmo tempo, vive uma enorme oportunidade, sobretudo com o crescimento das redes sociais. No entanto, o jornalista alertou para o risco da polarização exacerbada gerada por essas plataformas, que muitas vezes impossibilita uma discussão mais racional e profunda sobre os problemas do país.
O paradoxo da disrupção digital
Em sua análise, Di Franco também ressaltou o paradoxo das redes sociais. Por um lado, elas oferecem oportunidades incríveis de ampliação do alcance das informações e do debate. Porém, a amplificação de opiniões em bolhas e a criação de mundos fechados dificultam o diálogo construtivo e a troca de ideias. “As redes sociais abriram um leque de oportunidades, mas também criaram um ambiente onde as pessoas estão cada vez mais fechadas nas suas próprias convicções”, destacou.
O jornalista também comentou sobre o impacto da crise nos modelos tradicionais de negócios da mídia, que sofreram com a diminuição da publicidade e com a enxugamento das redações. “As equipes foram progressivamente reduzidas, o que resultou em um jornalismo mais superficial, que muitas vezes não tem a capacidade de abordar questões mais profundas e essenciais para o futuro do país”, afirmou Di Franco.
Em seguida, Di Franco se dirigiu à questão do futuro do jornalismo, destacando que, apesar da crise, há uma grande oportunidade para o jornalismo de qualidade. “A agenda pública continua sendo determinada pela mídia tradicional. Ela pode até ser debatida nas redes sociais, mas o pontapé inicial vem da mídia tradicional”, disse.
Ao encerrar sua participação, o jornalista apontou que a mídia tem um papel crucial na construção de um projeto de país que seja coerente com as reais necessidades do povo brasileiro. Ele concluiu afirmando: “É necessário um jornalismo profundo, que ilumine a cena e ajude o público a formar uma opinião bem informada, longe das narrativas vazias e superficiais.”
Confira a transmissão completa do Encontro Virtual: