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Debate sobre saúde pública destaca prevenção, inovação e equidade no atendimento à população

Publicado em 09 jul 2025

Debate sobre saúde pública destaca prevenção, inovação e equidade no atendimento à população

O Encontro Virtual realizado no dia 8 de julho pelo programa O Brasil Precisa Pensar o Brasil promoveu um debate de alto nível sobre os desafios e caminhos para uma saúde pública mais eficiente e sustentável. Com o tema “Estratégias e Perspectivas para a Saúde Pública”, o encontro contou com a participação do médico e gestor em saúde Maurício Serpa, secretário municipal adjunto de Saúde de São Paulo, e do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde João Gabbardo.

Maurício Serpa abriu o encontro com um diagnóstico contundente: “Temos o melhor sistema de saúde desenhado no mundo, mas estamos levando o SUS à ruína. Precisamos mudar o modelo — hoje vendemos doença, e não saúde.” Ao relatar sua experiência na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, Serpa destacou a fragmentação dos dados como um dos principais entraves à gestão eficiente. “Nós temos vários SUS dentro do SUS, e não temos os dados dos próprios pacientes que atendemos. Sem isso, seguimos apagando incêndios todos os dias.”

Ele defendeu mudanças estruturais, como o uso de prontuários integrados, monitoramento digital dos pacientes da atenção básica e modelos de financiamento baseados em indicadores de impacto. “Não podemos mais pagar da mesma forma entidades que entregam resultados ruins e entidades que entregam bons resultados. Isso é um desperdício e tem um custo alto para a saúde das pessoas.”

Prevenção é o único caminho sustentável

João Gabbardo, por sua vez, destacou que o foco na prevenção é o ponto central para garantir sustentabilidade ao sistema. “Os hospitais continuam cada vez mais lotados de pessoas com doenças que poderiam ser evitadas se houvesse mudança nos hábitos de vida. Sem prevenção e promoção da saúde, estaremos sempre enxugando gelo.”

Gabbardo apontou que o envelhecimento da população e a transição epidemiológica para doenças crônicas impõem um novo padrão de demanda por atendimento contínuo. “A conta da saúde cresce numa velocidade maior que qualquer exercício de financiamento. Precisamos mudar esse jogo agora.”

Ele também criticou a defasagem na tabela do SUS e defendeu o modelo implementado em São Paulo com a “Tabela Paulista”, que multiplica os valores pagos por procedimentos, reduzindo filas e aumentando a oferta de serviços essenciais, como cirurgias cardíacas pediátricas.

Revisão da integralidade e judicialização

Ambos os debatedores abordaram o impacto da judicialização na saúde pública. Gabbardo foi enfático ao propor que o conceito de integralidade seja melhor definido no Congresso Nacional: “O princípio de tudo para todos é inviável. Nenhum país do mundo oferece tudo a todos. O SUS precisa ter uma lista clara do que cobre, com base científica.”

Ele citou casos de medicamentos que custam até R$ 7 milhões por ampola, judicializados sem comprovação de eficácia ou custo-benefício: “Quando o sistema é obrigado a pagar por tratamentos sem evidência científica, esse recurso é retirado da maioria da população.”

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