O Capital humano foi tema da Sala Temática MT2 durante o Encontro Nacional O Brasil Precisa Pensar o Brasil, e reuniu lideranças e especialistas em torno de um dos assuntos centrais para o desenvolvimento nacional: a formação de pessoas e a valorização da educação como motor de transformação.
O debate contou com a participação de Raul Henry, coordenador do projeto e presidente do MDB de Pernambuco; Rafael Brito, deputado federal, ex-secretário de Educação e Desenvolvimento Econômico de Alagoas; e José Fernando Silva Santos, diretor de Economia da Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia.
Abrindo a discussão, Raul Henry destacou o processo que levou à construção do documento Caminhos para o Brasil e ressaltou que o tema da educação é o mais decisivo para o futuro do país:
“Nenhuma nação atinge a condição de uma nação desenvolvida, justa e democrática sem investir nas pessoas. Todas as nações que avançaram investiram em capital humano.”
Em seguida, Fernando Santos defendeu a importância da cultura como vetor de desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a experiência da Bahia Filmes, primeira empresa pública estadual de audiovisual do país, voltada à formação, qualificação e fomento da cadeia produtiva cultural.
“A cultura é um instrumento de transformação social. Políticas de audiovisual, de games e de empreendedorismo cultural precisam chegar à base, porque é nelas que estão as oportunidades de renda, educação e cidadania.”
Santos destacou que a política cultural também é uma política de tecnologia e inovação, capaz de gerar impacto econômico direto:
“O audiovisual é um instrumento de poder. É o soft power de um país. É o que nos faz pensar, questionar e nos reconhecer como nação.”
O deputado Rafael Brito centrou sua fala na defesa da educação como ponto de união nacional e no desafio de transformar o discurso em prática:
“A educação está no discurso de todos, principalmente em época de campanha. O desafio é colocá-la na prática — na agenda do país, dos governos estaduais e municipais.”
Brito apresentou o caso de sucesso de Alagoas, onde políticas de incentivo à permanência escolar, como o programa Cartão Escola 10 — origem do atual Pé-de-Meia —, dobraram o número de concluintes do ensino médio.
“Até 2020, Alagoas formava cerca de 23 mil alunos por ano. Em 2023, foram 47 mil. Isso mostra que investir no jovem dá resultado.”
O parlamentar também defendeu a valorização dos professores e a recomposição da aprendizagem como prioridades da política educacional.
“Não é rigidez nem cobrança que faz o aluno render mais. É estender a mão, entender e dar atenção. Esse é o caminho para o país avançar.”
Durante as intervenções do público, foram debatidos temas como a reprovação escolar, o ensino integral, o financiamento da educação básica e a federalização do ensino fundamental. Raul Henry observou que “toda criança é capaz de aprender” e defendeu que a política pública precisa garantir as condições para isso acontecer.
A sessão também abordou o primeiro emprego e a importância da qualificação profissional como política de inclusão produtiva. Experiências bem-sucedidas, como programas locais de capacitação de jovens, foram citadas como exemplos de transformação social.
Encerrando o painel, Raul Henry resumiu o espírito do encontro:
“Educação, ciência e tecnologia são o coração do capital humano. O Brasil precisa pensar o Brasil a partir das pessoas — é nelas que começa e termina todo projeto de futuro.”
Assista na íntegra: