A Fundação Ulysses Guimarães de Rondônia (FUG-RO), em parceria com a Associação dos Portadores de Epilepsia do Estado de Rondônia (APEERON), promoveu o II Simpósio Rondoniense de Epilepsia e Saúde Multidisciplinar, que reuniu especialistas, pacientes e lideranças para debater avanços e obstáculos no enfrentamento da doença. Dois pontos chamaram a atenção durante as discussões: o preconceito em relação ao uso do Canabidiol e a falta de acesso a cirurgias para tratamento da epilepsia no estado.
Para o coordenador Nacional do Projeto Epilepsia na Sociedade e presidente da Associação dos Portadores de Epilepsia da Paraíba (ASPEPB), João Hércules, palestrante principal do evento, ainda há resistência de médicos e pacientes quanto ao uso do Canabidiol, apesar da sua eficácia comprovada. “Precisamos superar isso. O Canabidiol não ajuda apenas no tratamento da epilepsia, mas serve para 22 patologias diferentes”, afirmou.
Outro tema que ganhou destaque foi a dificuldade enfrentada por pacientes rondonienses para acessar cirurgias que podem representar a cura da epilepsia. Como o estado não dispõe de estrutura para esses procedimentos, os pacientes dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para serem encaminhados a outras unidades da federação. No entanto, segundo Hércules, a lentidão no processo é um entrave grave. “Não é concebível que se leve mais de um ano para encaminhar um paciente para ser operado em outros estados. Este evento serviu de alerta para estes dois gargalos no enfrentamento da doença aqui em Rondônia”, concluiu.
O simpósio reforçou a necessidade de ampliar o debate público e buscar soluções que garantam acesso rápido e eficaz a tratamentos que podem transformar a vida de milhares de pessoas.
📸 Fotos: Brenda Pereira