Guto Scherer
Secretário Executivo da Fundação Ulysses Guimarães
Especialista em gestão pública e inovação política.
Lidera os programas Escola Movimento, Escola de Líderes
e o Programa de Inovação na Gestão Pública da FUG.
Representa a instituição em agendas estratégicas de formação,
democracia e desenvolvimento em todo o Brasil.
Enquanto a capital catarinense ostenta com méritos o título de “Capital Nacional das Startups”, um movimento silencioso, porém igualmente transformador, ocorre no interior de Santa Catarina — e deve servir de lição para o Brasil: o desenvolvimento regional através da inovação exige cooperação supramunicipal, coragem política e visão de longo prazo.
A força do interior que se conecta
Santa Catarina compreendeu cedo que inovação não é um privilégio das grandes metópoles. Pelo contrário: ela é uma necessidade urgente das cidades pequenas e médias que desejam reverter ciclos históricos de estagnação e evasão de talentos. Foi assim que surgiu a Rede Catarinense de Centros de Inovação, um projeto estadual que descentralizou oportunidades tecnológicas, criando estruturas em municípios como Lages, Chapecó, Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau e tantos outros.
Esses centros não competem entre si. Eles se complementam. Agem como polos integradores, aproximando empresas, universidades e governos locais de um mesmo objetivo: fomentar a inovação como vetor de desenvolvimento econômico e social.
Superar vaidades, unir propósitos
O que diferencia Santa Catarina de muitos outros estados brasileiros não é apenas o investimento, mas a maturidade institucional. Lá, diferentes municípios entenderam que sozinhos são frágeis, mas juntos são potentes. Lideranças políticas se despiram de vaidades e assumiram compromissos com a coletividade.
Essa mentalidade precisa urgentemente ser adotada por outras regiões do país. Especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde cidades próximas insistem em criar “parques tecnológicos municipais” isolados, sem sinergia, sem escala e, muitas vezes, sem vocação. O futuro exige consórcios regionais, hubs colaborativos e governança compartilhada.
Inovação como resposta à juventude e à economia global
Vivemos uma transição geracional. A chamada Geração Z — jovens nascidos em plena era digital — não busca apenas emprego, mas propósito. Eles querem criar, empreender, experimentar. E para isso, precisam de ambientes férteis, conectados, acessíveis. O modelo de desenvolvimento tradicional, baseado apenas na atração de indústrias pesadas ou concessão de terrenos, não os atrai mais.
É aí que entram os hubs regionais de inovação: estruturas que catalisam criatividade, promovem a economia digital e conectam talentos locais com oportunidades globais. É também onde a economia criativa encontra terreno fértil — com setores como design, games, audiovisual, gastronomia e moda se consolidando como alternativas reais de desenvolvimento local.
MDB, Fundação Ulysses e a responsabilidade de liderar o novo ciclo
É impossível contar essa história sem reconhecer o papel que o MDB teve nas origens desse ecossistema em Santa Catarina. O Sapiens Parque, um dos primeiros parques tecnológicos do país, foi idealizado ainda na gestão do governador Luiz Henrique da Silveira. A ampliação da rede de inovação se deu em governos municipais e estaduais do MDB. Isso não é passado. É referência.
A Fundação Ulysses Guimarães precisa assumir sua missão de fomentar esse debate em nível nacional. Capacitar gestores, promover boas práticas, apoiar a criação de estratégias regionais de inovação. Porque inovar também é democratizar oportunidades. E nenhum partido brasileiro está mais preparado para conduzir essa pauta com seriedade e capilaridade do que o MDB.
Conclusão: ou é regional e coletivo, ou será irrelevante
O futuro das pequenas e médias cidades brasileiras passa por um novo entendimento de desenvolvimento: não há mais espaço para soluções isoladas, projetos pessoais ou visões estreitas de gestão pública. A economia digital não respeita fronteiras administrativas, mas valoriza redes, conexões e cooperação.
Os municípios que compreenderem isso — e que estiverem dispostos a abrir mão de protagonismo em nome do resultado coletivo — serão os protagonistas do novo ciclo de crescimento brasileiro. E a Fundação Ulysses Guimarães deve estar ao lado deles, como indutora dessa transformação.