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O documento Caminhos para o Brasil e os elementos básicos de um programa para os Estados brasileiros – Ensaio I

Publicado em 17 fev 2026

O documento Caminhos para o Brasil e os elementos básicos de um programa para os Estados brasileiros – Ensaio I

No novo artigo publicado no site da Fundação Ulysses Guimarães (FUG), o ex-senador José Fogaça analisa como o documento Caminhos para o Brasil pode orientar programas de governo nos estados brasileiros.

Baixe o artigo na Biblioteca da FUG ou leia abaixo na íntegra:

O documento Caminhos para o Brasil e os elementos básicos de um programa para os Estados brasileiros – Ensaio I

José Fogaça
Presidente do
ConselhoEditorial da FUG

O Brasil é um imenso país e dentro dele reina uma riquíssima diversidade sociológica, cultural e política. Há traços marcantemente diferenciados na linguagem, nos costumes, nos padrões de comportamento individuais e coletivos, e há também claras diferenças de ordem sócio-econômica entre as 27 unidades da federação brasileira.

Isso não impede, no entanto, a existência de muitas afinidades e parecenças. Se considerarmos nossa grandeza territorial, as enormes diferenças de nossa geografia, a multiplicidade de etnias e as distâncias incomensuráveis que separam nossas cidades e regiões, se pensarmos que somos em torno de 212 milhões de habitantes (um pouco mais, um pouco menos), se refletirmos sobre o fato de que nos dividimos em 26 estados mais o Distrito Federal, que nosso território tem oito milhões e meio de quilômetros quadrados – pode-se dizer que o Brasil é um milagre como nação.

Não nos constituímos em uma potência bélica como a Rússia, não temos o dinamismo econômico adiquirido pela China nos últimos 30 anos, temos uma população pelo menos sete vezes menor do que a população do Índia. Ainda assim conseguimos manter uma grande integridade do território e uma indesmentível unidade  nacional que tem se mantido intacta desde o Império e por toda a era republicana.

O MDB realizou, no final de 2025, uma tarefa partidária gigantesca: produzir um documento de conteúdo programático que abrangesse toda essa multitudinária realidade brasileira e servisse de orientação básica para as eleições de 2026.

O Brasil irá dobrar uma esquina da sua história em 2026. As eleições presidenciais e as eleições estaduais reservam uma perspectiva de inflexão, de mudança e de redefinições do cenário político como poucas vezes aconteceu na vida do país.

A leitura do documento Caminhos para o Brasil,produzido recentemente pela Fundação Ulysses Guimarães para o MDB, permite identificar um conjunto de diretrizes que podem ser traduzidas em políticas públicas concretas nos estados, especialmente nos níveis administrativo, técnico, econômico e político. A força do documento está em sua tentativa de organizar uma agenda de médio e longo prazo, com foco em governança, desenvolvimento e redução das desigualdades.

O documento traz uma expressão que é a síntese dos seus objetivos: a administração pública sob a responsabilidade do MDB enfatizará a necessidade de um Estado funcional, o que em palavras simples se traduz como a busca permanente de um governo eficiente e voltado para o cidadão. Digitalização de serviços públicos, ampliar portais unificados, reduzir burocracia, permitir de fato e de direito o acompanhamento de processos em tempo real.

A responsabilidade fiscal é compromiso medular do MDB. Nossa história tem sido a de assumir governos que exigem grandes sacrifícios iniciais da máquina pública para restaurar a
estabilidade e a capacidade de financiamento do Estado.

A gestão por resultados é um outro ponto fundamental, com a adoção de indicadores de desempenho, metas claras e avaliação contínua de políticas públicas. Posso dizer que na gestão de 2005 a 2010, na Prefeitura de Porto Alegre, a gestão por resultados esteve por trás de todos os projetos bem sucedidos que pudemos empreender naquele governo.

Esse formato deverá também moldar a governança de autarquias e empresas estatais estaduais, o que poderá acontecer com metas de eficiência e transparência ampliada.

A criação de um ambiente de estímulos ao desenvolvimento econômico é outro tema basilar no documento do MDB. São três expressões que resumem essa visão: desenvolvimento, competitividade e sustentabilidade.

Simplificar o ambiente de negócios, reduzir prazo para abertura de empresas, instituir o licenciamento digital, incentivar a formalização. Não abrir mão de tratar como prioridade a infraestrutura logística regional, principalmente no que diz respeito aos chamados corredores de exportação. As parcerias com o setor privado fazem parte da história dos governos do MDB, em uma estrutura estatal de apoio que conte com agências estaduais de promoção e defina zonas de desenvolvimento. O documento Caminhos para o Brasil destaca também a necessidade de que uma proposta de governo do MDB não pode deixar de contemplar questões ligadas à economia verde e à transição energética, questões que – em minha opinião – devem ser objeto de um debato acurado e um procedimento responsável. Responsável com o presente e responsável com o futuro.

Ainda no campo do desenvolvimento econômico, o apoio à agroindústria e às cadeias produtivas locais, em estados de forte vocação agrícola, é de grande relevância.

Em âmbito político, o documento Caminhos para o Brasil repisa em posições historicamente definidas pelo MDB: democracia, cooperação federativa e estabilidade:consórcios regionais, integração de políticas de segurança, saúde e meio ambiente, atuar para garantir um nível de relacionamento com o governo federal e com os demais governos estaduais em um ambiente estável e moderado, estímulo ao diálogo, à busca dos interesses comuns.

Promover uma participação social qualificada é parte indispensável do esforço democrático: conselhos estaduais, audiências públicas, consultas digitais, mecanismos de escuta ativa, clareza quanto à identidade regional, como instrumento de coesão social e estímulo ao espírito de cooperação.

A polarização é da natureza da política. Mas há polarização política funcional e polarização política disfuncional. A polarização política funcional é aquela que se coloca como caminho para a cooperação, o progresso, a prosperidade, a luta comum pela redução da desigualdade e das insjustiças sociais.

Polarização disfuncional é aquela que existe apenas para eliminar a pluralidade política, congelando e arruinando a fluidez democrática. É aquela que fixa duas opções que se apoiam
mutuamente para eternizar uma dualidade doentia, paralisante e improdutiva, que atrasa o país.

Temas como saúde, educação, serviço público e segurança pública são absolutamente vitais no plano estadual. O documento Caminhos para o Brasil trata desses quatro temas como questões imperativas da realidade brasileira. É o que abordaremos no ensaio subsequente a esse.

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